Mostrando postagens com marcador performance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador performance. Mostrar todas as postagens

23 de nov. de 2013

Mostra OSSO de Performance _ Edição Ilha de Maré _ Salvador – BA

Ilha de Maré, bairro de Salvador, localizado na Baia de Todos os Santos.
Ao conhecer este lugar a convite do Coletivo OSSO e perceber alguns dos problemas enfrentados pelos moradores, como a poluição e a ausência de escolas, me senti instigado a propor uma reflexão, e fiz isso por meio da ação “Lata Incendiária 2”.

Esse trabalho foi um desdobramento do “Lata Incendiária”, realizado na residência artística “Muros: Territórios Compartilhados”  realizada Salvador, em abril deste ano.

O coletivo OSSO de Performance tem como objetivo “ocupar os espaços públicos da cidade de Salvador, estabelecer o intercâmbio com outros performáticos e assim construir uma rede social, uma teia que facilite e viabilize as informações e as trocas - não apenas entre os artistas, como também com a comunidade local. Recuperando o caráter libertário das praças, dinamizando discursos, dessacralizando a arte, o corpo informa enquanto a boca cala, a ossatura é feita de fibras e tecidos e a política nada mais é que afeto."


Mais informações, acesse: www.coletivosso.blogspot.com













Lata incendiária 2
Dalton Paula
Foto: Alex Oliveira
2013






22 de out. de 2013

Residência artística: Muros Territórios Compartilhados (Salvador/BA)

Depoimento

Água Brusca, Cidade Baixa, Forte de Santo Antônio, Forte de Barbalho, Recôncavo, caruru, acaçá, dendê, pólvora, açúcar, marés, saveiro, engenho, Água de Meninos, Buraco do Tatu, veneno, alfaiates, subversivo, tabaco, Ketu, Baia de Todos os Santos, Cachoeira, Cidade Alta, Curuzu, Ubaldo, Dois de Julho, Revolta do Urubu, navalha, mulçumano e Pirajá.

Chuva de palavras com múltiplos significados e diferentes contextos... Uma diversidade próxima a isso representa como me senti ao pisar na feira de São Joaquim.

Sem uma lógica aparente ou imediata, a proposta foi uma vivência de duas semanas para que eu pudesse entrar no ritmo da feira _ transitar, alimentar, dialogar, me perder. Somado a isso, também buscar nas ervas, nos animais, adornos, tecidos, adereços...

Buscar uma possibilidade de cura para meu corpo enfermo, enfermidade que refere-se à condição desse corpo silenciado que perpassa questões contemporâneas, como o medo, o individualismo, o efêmero e a alteridade no âmbito da intimidade.

A feira de São Joaquim está situada na Cidade Baixa, zona portuária de Salvador, importante centro de abastecimento. São aproximadamente quatro ou cinco mil feirantes organizados principalmente num dispositivo orgânico em forma de labirinto. Patrimônio imaterial da humanidade, ela agrega valor simbólico ímpar à “cidade da Bahia” e movimenta significativamente a economia num intenso fluxo de diversas mercadorias e serviços.




No período em que permaneci na feira, reservei para os registros fotográficos as imagens dos feirantes. Uma tentativa de valorizar a representação desses profissionais amigos, conselheiros e entidades que agregam ao território um sentido de pertencimento, de identidade cultural. “Personagens” que são importantes para a vida daquele lugar.



No entanto, estar na feira foi um exercício de a todo instante me colocar em “cheque”, o espaço me provocava constantemente _ tinha a sensação de estar perdido num lugar conhecido. Caminhar pela feira aumentava meu repertório de becos sem saída, dessa sorte me perdia com maior frequência. Isso me colocou num labirinto interior sufocante, angústia semelhante a um choque que reanima um corpo em parada, uma desestabilização reativa, mas necessária para que algum “emplasto” fosse elaborado.

Os materiais pesquisados sobre a feira, como filmes, artigos, conversas com pessoas que conviveram com o mercado foram decisivos para que eu conhecesse um fato que me instigou: um incêndio na antiga feira, cujo nome era Água de Meninos.

Na época existia uma discussão que provavelmente tal tragédia tenha sido provocada. Em minhas andanças e ao acessar o material sobre a feira, sinto que era malquista por alguns no período anterior ao incêndio e de alguma sorte, penso também que esse sentimento ainda hoje paira no ar, foi herdado pelos contemporâneos.

A partir daí o incêndio tornou-se meu fio condutor e também uma linha de pensamento metafórica, em busca de alcançar perguntas que de certa forma trouxessem reflexões. Retornei as caminhadas e os diálogos com esse recorte.

“Incendiaram os engenhos de açúcar. Em 1555, ele incendiou cinco aldeias pelas bandas do Rio Vermelho. Fogo de fornalha... os canaviais haviam sido incendiados. Toca fogo no canavial, trabalho destrutivo das labaredas até alcançar o moinho e queimar o melado. Estandarte... com incêndios em canaviais e estações pesqueiras. Incêndios clareavam vários pontos da cidade. O fogo consumia cerca de 70 sobrados, a maioria na Conceição da Praia, mas também na Piedade nos Barris, na Ajuda, em São Pedro _ provocado pelos vencidos, em desespero e embriaguez, e pelos vencedores, para desentocar inimigos. Soldados rebeldes foram atirados às chamas e também simples moradores... Incendiaram e depredaram tudo. Para que casas ardessem mais facilmente, untaram-nas com azeite. Sebastião fora visto montado a cavalo com uma tocha na mão, pondo em outras casas da armação. República é revolução, é incêndio, é saque... é sabinada”.*

Tencionar tal gesto como fôlego e recuo da significação, no intuito do sentido conter sentidos. Para isso, construí um personagem que fizesse uso das fissuras, brechas e rupturas, que se mostrasse fugidio­­­_ fosse capaz de indagar o silêncio nas ações, interceptá-las pelo silêncio, comunicar-se por silenciar. Tal arquétipo se inscreve no jogo das múltiplas formações discursivas, que constituem as distintas formas de expressão.


*Referências:

OLIVIERI, Silvana. Quando o cinema vira urbanismo: o documentário como ferramenta de abordagem da cidade.Salvador: Edufba, 2011.

ORLANDI, Eni Puccinelli. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. Campinas: Unicamp, 1992.

RISÉRIO, Antônio. Uma história da cidade da Bahia. Versal, 2004.

Filmes:

“Água de Meninos – A Feira do Cinema Novo” (Fabíola Aquino , 52 min)

“Sol sobre a lama” (Alex Viany, 1963, 90 min)

“A grande feira” (Roberto Pires, 1961, 91 min)




Dalton Paula
Tabuleiro
Fotografia
90 x 135 cm
Foto: Bruno Vilela
2013




Dalton Paula
Lata incendiária 1
Fotografia
60 x 80 cm
Foto: Bruno Vilela
2013





Dalton Paula
Lata incendiária 2
Fotografia
90 x 135 cm
Foto: Bruno Vilela
2013






Dalton Paula
Água de meninos
Performance
Vídeo: Bruno Vilela
2013


8 de abr. de 2013

Nilo Peçanha



Dalton Paula
Nilo Peçanha
Vídeo
Fotografia:Heloá Fernandes
Edição: Helô Sanvoy
2013

31 de mar. de 2013

Coronel Castelo Negro





Dalton Paula 
Coronel Castelo Negro A
Vídeo
Fotografia: Markus Garscha
Edição: Helô Sanvoy
2013












Dalton Paula
Coronel Castelo Negro B
Vídeo
Fotografia: Markus Garscha
Edição: Helô Sanvoy
2013



25 de mar. de 2013

Bispo do Rosário




Dalton Paula
Bispo do Rosário
Vídeo
Foto: Markus Garscha 
Edição: Helô Sanvoy
2013


12 de fev. de 2013

Barreira do som



Em tempos longínquos
Uma força move, persuade, abala o engenho.
Faz-se morada. Deixa marcas no espaço público e privado.
Move engrenagens do corpo, do espírito e da alma.

Cobrado pela memória ... dívida ancestral.
Griôs, Griôs, Griôs ... ensinam a viver.

Há um silêncio que significa, fala e comunica.
Não gritos – mas –  a zoada ressignifica-se.
Contínua e presente, em posição de re-existência.







Dalton Paula
Barreira do Som F 
90 x 135 cm
Fotografia
Foto: Heloá Fernandes
2013








Dalton Paula
Barreira do Som C
90 x 135 cm
Fotografia
Foto: Heloá Fernandes
2013








Dalton Paula
Barreira do Som E
90 x 135 cm
Fotografia
Foto: Heloá Fernandes
2013








Dalton Paula
Barreira do Som D
90 x 135 cm
Fotografia
Foto: Heloá Fernandes
2013








Dalton Paula
Barreira do Som A
90 x 135 cm
Fotografia
Foto: Heloá Fernandes
2013



7 de jul. de 2012

Coffee Black




Na foto performance “Coffe Black” utilizo como cenário o muro externo do Parque Agropecuário de Goiânia, e também os seguintes elementos: mesa, forro de renda, bule e xícara esmaltados, café e beiju (ou tapioca, prato bastante popular no Brasil, feito de polvilho), que formam uma metáfora ao café-da-manhã, enquanto refeição (do inglês, Coffee Break) e especificamente ao café preto (Coffee Black).

O destaque dado à cabeça e ao alimento relaciona-se com um rito das religiões de matriz africana, chamado borí, que significa dar comida à cabeça, buscando assim a renovação de forças do indivíduo. E é nessa cabeça, coberta pelo beiju que eu derramo o café. O café do alimento matinal, o café do hábito cultural brasileiro, o café das políticas oligárquicas, o café pictórico.













Dalton Paula
Coffee Black
2012
Fotografia
60 x 450 cm
Foto: Heloá Fernandes




3 de jun. de 2012

O Batedor de bolsa


Apresento aqui um pouco da experiência do que foi fazer a performance, e a vinculo com elementos que constantemente perpassam as séries, reforçando algumas ideias e questões já abordadas, o que tem me possibilitado um amadurecimento, e uma maior compreensão dos conceitos e do próprio trabalho em si, que considero ainda em processo. Na performance, são explorados objetos que são símbolos, apresentam códigos sociais na vivência cotidiana. Remetem às pessoas que as utilizam e os papéis sociais que elas ocupam, bem com aos lugares para os quais são destinados e dessa forma, também suas cargas simbólicas. Tais objetos são deslocados e levados a um jogo metafórico para propor questões, uma tentativa de abstrair aspectos críticos dos temas propostos.

Em suas reflexões sobre o propósito da arte, Cohen (2011) questiona se ela deve representar o real, recriá-lo ou criar outras realidades. E nesse contexto, o autor indica que a performance acaba atingindo novas situações e percursos, tênues limites que separam a vida da arte. E deste modo, ele situa essa linguagem em um âmbito mais amplo, numa maneira de encarar a arte, de vê-la numa constante procura por se aproximar da vida, e assim também do que é espontâneo e natural, constituindo o live art:

“um movimento de ruptura que visa dessacralizar a arte, tirando-a de sua função meramente estética, elitista. A idéia de resgatar a característica ritual da arte, tirando-a de “espaços mortos”, como museus, galerias, teatros, e colocando-a numa posição “viva”, modificadora” (COHEN, 2011, p.38).

Também abordo a perfomance nesse sentido, pois a relaciono com minha vontade e os caminhos do trabalho para direcionar as ações, no intuito de buscar na realidade, aquilo que ela tem de mais pulsante, e que seja capaz de fugir da representação tradicional.

Na performance, parto do “Corpo Silenciado”, com o muro e sua natureza pictórica, e adiciono novos elementos: uma bolsa feminina preta, um cassetete policial, uma calça social marrom, uma botina bege e uma venda preta nos olhos. Em tal cenário, coloco o corpo em ação, elaboro uma metáfora da pinhata (em espanhol, “piñata”), uma brincadeira tradicionalmente popular no México. Constituída por um recipiente normalmente de cerâmica envolto por papel crepom, ela pode ter inúmeras formas, em especial a estrela de sete pontas, e também personagens de desenho animado. Tal objeto, que é preenchido com doces e guloseimas, fica suspenso no ar, numa altura média de 2 metros; e o jogador, de olhos vendados tenta acertá-lo com um porrete, espalhando os doces por todo o local. Apesar de ser mais comum entre crianças, adolescentes e adultos também participam desse jogo, que no Brasil é conhecido como quebra-panela ou quebra pote. Normalmente no tradicional sábado de aleluia, também fazemos uma brincadeira semelhante, a malhação do Judas, na qual se suspende um boneco em tamanho aproximado ao corpo humano, que é esbofeteado, desfigurado, e até mesmo queimado.

Em “O Batedor de Bolsa” trabalho com o cassetete e a bolsa como extensões do corpo, do eu e do outro, prolongamento simbólico, material e subjetivo do desejo, imaginações, ações e reações do corpo na vida cotidiana.

Nesse sentido, faço uma analogia entre essa relação com a alteridade e uma ampulheta, que aqui possui em seu interior não apenas areia, mas também o eu e o outro, e com o transcorrer do tempo, senti-me sufocado, soterrado pela areia, que simboliza todas essas ações vivenciadas no cotidiano e com as pessoas. No entanto, como uma reação a tudo isso, tal corpo precisa ser “virado”, para assim como essa ampulheta imaginária, que recomeça a registrar novamente o tempo, ele possa reagir, se renovar.

COHEN, Renato. Performance como linguagem. 3 ed. São Paulo: Perspectiva, 2011. 256 p.

*Este texto faz parte do trabalho de conclusão de curso "Corpo Silenciado". 








Dalton Paula
O Batedor de bolsa
2011
Fotografia
60 x 270 cm
Foto: Mário Souza / Tratamento de imagem: Heloá Fernandes